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	<title>O Indivíduo</title>
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	<description>Porque só o indivíduo tem consciência</description>
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		<title>O Indivíduo</title>
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		<title>Transcendência (versus?) Imanência</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Sep 2009 16:11:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sergio de Biasi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Um camponês olha para uma montanha e, sem qualquer pretensão filosófica ou espiritual, observa, como desde a sua infância, ao olhar naquela direção, o que lhe parece simplesmente óbvio : &#8220;Eis ali uma montanha.&#8221; Um dia, porém, passa por ali uma missão enviada pela universidade da capital para medir e estudar as riquezas naturais do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oindividuo2.wordpress.com&amp;blog=4368107&amp;post=1179&amp;subd=oindividuo2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um camponês olha para uma montanha e, sem qualquer pretensão filosófica ou espiritual, observa, como desde a sua infância, ao olhar naquela direção, o que lhe parece simplesmente óbvio :</p>
<p>&#8220;Eis ali uma montanha.&#8221;</p>
<p>Um dia, porém, passa por ali uma missão enviada pela universidade da capital para medir e estudar as riquezas naturais do país, e um prestigioso geólogo ouve o camponês, e exclama :</p>
<p>&#8220;Quanta ingenuidade. Isto não é uma montanha. Veja bem, a forma como o planalto se dobra para alcançar a plataforma oceânica, quando vista deste ângulo, dá essa impressão, mas uma formação desse tipo não pode ser adequadamente chamada de montanha. Inclusive para mim isso não passa de um acidental depósito de rochas sedimentares que ficou para trás quando o oceano recedeu nesta região há cem milhões de anos atrás.&#8221;</p>
<p>Ao que se junta o físico da equipe e diz :</p>
<p>&#8220;Eu iria ainda mais longe e diria que tudo o que vejo ali é um aglomerado de átomos que se mistura sem nenhuma fronteira logicamente defensável com o ambiente ao redor, inclusive a atmosfera; é um sistema que dinamicamente se modifica e renova e ao qual é injustificável sequer darmos uma identidade una e independente.&#8221;</p>
<p>E neste momento o biólogo que fazia levantamento de biodiversidade para a equipe diz :</p>
<p>&#8220;Pois o que eu vejo ali é um ecossistema de alta complexidade. Inclusive algumas dos pássaors ali presentes são migratórios sazonais e se integram com as populações ao norte do país, o que como efeito colateral promove a troca de pólen e sementes de espéceis vegetais entre as duas regiões, que não têm portanto como serem compreendidas separadamente.&#8221;</p>
<p>Ao que se junta o engenheiro da equipe e diz :</p>
<p>&#8220;Para mim a questão é que este local é excelente para passarmos uma estrada, pois veja bem, o declive na encosta leste é moderado e termina em solo compacto e com excelente drenagem em caso de chuvas.&#8221;</p>
<p>Neste ponto, o camponês, muito impressionado com a quantidade de conhecimento de todos esses doutores, e envergonhado de sua ignorância, retira-se para seus simples afazeres.</p>
<p>Porém, as vozes de todas aquelas autoridades sobre o que ele conheceu a vida inteira permanecem ressoando em sua mente, e perturbado com sua incapacidade de conciliar as profundas revelações que ouvira com sua experiência cotidiana, ele procura um grande sábio que habita na região e provê auxílio espiritual aos que necessitam.</p>
<p>&#8220;Meu pai, eu o procuro porque repentinamente aquilo que eu percebia com meu coração não parece mais ser verdade, mas ao mesmo tempo eu não consigo conciliar o que eu sinto com tudo aquilo que me disseram. Eu conheço aquele local desde criança, eu brinquei nas suas matas, eu bebi dos seus rios, eu lá busquei madeira para me aquecer no inverno, e pedras para calçar o pátio da minha fazenda na estação de chuvas. Como é possivel que aquilo que eu pensei que conhecia tão intimamente seja na verdade tão estranho e insuperavelmente incompreensível para mim?&#8221;</p>
<p>O sábio ouviu a pergunta e respondeu :</p>
<p>&#8220;Meu filho, tudo o que eles disseram é verdade, assim como tudo o que você disse também é. E no entanto nada disso chega perto de arranhar a superfície de tudo o que há para ser sabido sobre aquele local. Há ali muito mais do que qualquer humano jamais poderá saber, ou dizer. Mas não há qualquer contradição nisso. São diferentes aspectos da mesma realidade infinitamente rica. O nome que se dá para a totalidade do fenômeno que cada um de nós foi capaz de apreender apenas de forma parcial, incompleta e limitada é aquele que você já sabia desde o princípio : Eis ali uma montanha.&#8221;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oindividuo2.wordpress.com/1179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oindividuo2.wordpress.com/1179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oindividuo2.wordpress.com/1179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oindividuo2.wordpress.com/1179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oindividuo2.wordpress.com/1179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oindividuo2.wordpress.com/1179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oindividuo2.wordpress.com/1179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oindividuo2.wordpress.com/1179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oindividuo2.wordpress.com/1179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oindividuo2.wordpress.com/1179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oindividuo2.wordpress.com/1179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oindividuo2.wordpress.com/1179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oindividuo2.wordpress.com/1179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oindividuo2.wordpress.com/1179/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oindividuo2.wordpress.com&amp;blog=4368107&amp;post=1179&amp;subd=oindividuo2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Ateísmo Para Principiantes</title>
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		<comments>http://oindividuo2.wordpress.com/2009/09/12/ateismo-para-principiantes/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 12 Sep 2009 06:18:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sergio de Biasi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Há algumas semanas Pedro escreveu um texto entitulado &#8220;A diferença entre crentes e ateus&#8221; no qual em princípio pretende buscar compreender ou pelo menos descrever, num exercício de empatia, a posição dos ateus não como vistos pelos crentes, mas desde o ponto de vista dos próprios ateus. O texto demonstra uma incompreensão embaraçosa da posição [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oindividuo2.wordpress.com&amp;blog=4368107&amp;post=1101&amp;subd=oindividuo2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há algumas semanas Pedro escreveu um texto entitulado &#8220;<a href="http://oindividuo.com/2009/07/21/a-diferenca-entre-crentes-e-ateus/">A diferença entre crentes e ateus</a>&#8221; no qual em princípio pretende buscar compreender ou pelo menos descrever, num exercício de empatia, a posição dos ateus não como vistos pelos crentes, mas desde o ponto de vista dos próprios ateus. O texto demonstra uma incompreensão embaraçosa da posição de quem não é crente. Diante disso, achei que seria didático e esclarecedor fazer o exercício de descrever &#8220;a nível de ateu&#8221; o que de fato penso sobre certos assuntos, inclusive o que eu de fato penso sobre o que os crentes pensam.</p>
<p>Para começar, observo que já de saída o Pedro supõe que haja muito mais unidade ideológica e de crenças entre os ateus do que realmente há. Com poucas exceções, que em geral surgem como subconjuntos de sistemas mais amplos de pensamento, o ateísmo raramente surge como uma instituição organizada com dogmas ou qualquer tipo de ortodoxia. Quem não acredita em deus em geral não acredita e pronto, individualmente. As pessoas que acreditam em digamos Papai Noel talvez tenham alguma coisa em comum. As que não acreditam costumam simplesmente não pensar nisso, assim como os católicos não ficam em geral gastando seu tempo se reunindo para refutar a existência de Shiva. Evidentemente caso fosse contra a lei não acreditar em Papai Noel ou se pessoas começassem a me insultar por eu não acreditar em Papai Noel talvez eu gastasse mais tempo discutindo Papai Noel. Mas mesmo nesse caso Papai Noel em si mesmo permanece rigorosamente inexistente e irrelevante; são as pessoas falando de Papai Noel que se tornaram um assunto.</p>
<p>Mas voltemos as afirmações específicas que Pedro faz. Ele começa por afirmar :</p>
<blockquote><p>Ambos dirão que apenas se submetem à verdade; ambos dirão que seguem suas consciências; ambos dirão, mais ainda, que o que os diferencia do outro lado é o estar certo, o ter razão.</p></blockquote>
<p>De fato, os religiosos parecem em geral dizer e acreditar exatamente nisso (que o que os diferencia do outro lado é estar com a razão). Mas claramente uma grande parte dos ateus &#8211; especialmente os que têm uma posição mais científica &#8211; dificilmente concordariam que os que os distingue dos religiosos seria &#8220;o estar certo, o ter razão&#8221;. Afinal, &#8220;estar certo&#8221; é algo a que não temos acesso direto, e repetidamente descobrimos que estávamos errados quando tudo parecia indicar que estávamos certos. Os próprios ateus discordam de todas as formas possíveis sobre qual o significado, origem e propósito da existência humana e do universo. Alguns por incontornável necessidade lógica estarão certos enquanto outros errados. (Aliás, assim como os religiosos.) Discordam inclusive sobre a possibilidade de responder certas perguntas.</p>
<p>Então eu diria que o que distingue a mim pessoalmente de um religioso padrão não é tanto o &#8220;estar certo&#8221; quanto POR QUE eu acho que estou certo. Eu não aceito argumentos de autoridade, tradição ou revelação como &#8220;provas&#8221; do que seja verdadeiro. E não acho que a fé seja uma boa base para um sistema de crenças. Portanto para mim o que me distingue de um crente padrão não é eu &#8220;estar certo&#8221; tanto quanto o que eu considero um argumento aceitável para alguém defender que está certo. Eu não acreditar em deus é uma posição circunstancial, não metodológica ou a priori. Caso ele descesse do céu e fizesse milagres na minha frente eu teria que repensar a idéia. Caso alguém definisse deus de uma forma que fizesse sentido e apresentasse evidências de que ele existe eu teria que repensar a idéia. Agora, enquanto isso não acontece, sugiro que é bem mais acreditável que ele seja um personagem mitológico.</p>
<blockquote><p>não se deve esquecer que uns considerarão os outros a praga da humanidade</p></blockquote>
<p>Isso está comicamente longe de descrever a posição seja do religioso médio, seja do ateu médio. Se formos seguir a tradição de algumas religiões, elas *de fato* oficialmente instam seus fiéis a considerarem todos os pagãos como pecadores, indignos e merecedores de punição eterna, mas felizmente grandes massas de religiosos não levam isso a sério. E uma grande massa entre os ateus acham religião equivalente a acreditar em Papai Noel : delirante mas inofensivo ou até mesmo positivo por fazer as pessoas mais felizes.</p>
<blockquote><p>Mas qual será o fundamento subjetivo de sua diferença? Haverá uma atitude fundamental que distinga um grupo do outro?</p></blockquote>
<p>Para *mim*, pessoalmente, a questão já está colocada da forma errada. Como eu disse antes, há muito mais unidade ideológica entre crentes do que entre não crentes. Se eu tivesse que buscar algo para distinguir os dois grupos, eu sinto vontade de dizer (porque é isso que *eu* pessoalmente sinto que me distingue) que para mim seria o que é aceito como critério de verdade, como eu disse acima. Mas que se note, isso é uma descrição caricatural, porque evidentemente há entre os ateus aqueles que apesar de não serem &#8220;crentes&#8221; no sentido proposto pelo Pedro, acreditam em todo tipo de disparates alucinados como astrologia, mágica ou espíritos. E até mesmo para não acreditar em deus há todos os tipos de motivos, desde &#8220;o governo mandou&#8221; até &#8220;isso é chique&#8221;. Não existe realmente unidade de atitude fundamental entre os ateus. Então não há como responder seriamente a esta pergunta.</p>
<p>Talvez pudéssemos recolocar a pergunta como : &#8220;Qual é a atitude fundamental que caracteriza os crentes?&#8221;. E mesmo essa, dada a diverdade do grupo, seria difícil de responder de forma não caricatural. Eu pessoalmente tendo a responder que é o triunfo da intensa necessidade instintiva de que a vida faça sentido e tenha um propósito sobre a percepção racional de que ela não faz e não tem. Mas isso sou eu. E além disso o complemento não é verdade; muitos não crentes sucumbem à mesma necessidade instintiva, apenas projetam sua necessidade psicológica de serem cosmicamente relevantes em outros tipos de fantasias.</p>
<blockquote><p>diante da complexidade do mundo, o crente pressente a existência de uma inteligência transcendental, ao passo que, para o ateu, esse pressentimento é um passo indevido, uma projeção de quem observa o mundo.</p></blockquote>
<p>Até aí, concordo plenamente. &#8220;Pressentir&#8221; coisas sem ir lá testá-las não é base para um sistema de crenças sobre como o universo funciona. Mas até mesmo sobre isso não é claro para mim que haja concordância generalizada entre os ateus.</p>
<blockquote><p>O crente, ao perceber algo mais vasto que sua própria inteligência, julga tratar-se da obra de outra inteligência; o ateu, ao perceber algo mais vasto que sua própria inteligência, julga que o domínio dessa vastidão virá com o tempo. Parece que as duas atitudes refletem duas posições a respeito de uma possível ciência universal. </p></blockquote>
<p>Discordo absolutamente. Tanto pessoalmente, quanto que isso remotamente descreva a posição da massa dos ateus, que freqüentemente dizem algo nas linhas de &#8220;Eu não sei, desconfio que você também não sabe, e sei lá se algum dia saberemos.&#8221; Certamente não descreve a *minha* posição.</p>
<p>Aliás, achar que o &#8220;domínio dessa vastidão virá com o tempo&#8221; é uma posição que não só não é representativa dos ateus como nem ao menos está com sintonia com o sentimento atual da comunidade científica. Algumas das descobertas mais importantes do século 20 tiveram a ver com se determinar a impossibilidade de conhecer certas coisas. Note, não digo nem a impossibilidade prática; digo a impossibilidade mesmo. Isso foi um grande golpe para muitos cientistas que acreditavam que a ciência poderia um dia saber ou explicar tudo. O próprio Einstein por exemplo nunca ficou muito feliz com o indeterminismo embutido na mecânica quântica e sempre considerou que isso não poderia representar como o universo realmente funciona, e tinha que ser sim um artefato da nossa ignorância sobre a realidade. O entendimento moderno é que ele estava equivocado sobre isso. Existem vários outros exemplos de importantíssimos resultados científicos obtidos modernamente sobre os limites &#8211; mesmo em tese &#8211; do conhecimento humano.</p>
<blockquote><p>De um lado, o crente pergunta ao ateu: “E quando ficar evidente que a ciência universal é impossível, você passará a crer?”</p></blockquote>
<p>Curiosamente, nunca nenhum crente colocou essa questão para mim, e duvido que a maior parte dos crentes se identificaria com essa pergunta. Alem disso, o fato de que a ciência universal é impossível já ficou &#8211; ironicamente e para grande surpresa da maior parte dos cientistas &#8211; cientificamente claro ao longo do século 20. Em particular para mim, é perfeitamente evidente que a ciência universal é impossivel e eu sigo não vendo qualquer motivo para diante disso acreditar em deus. Além disso, eu acho que *se* por hipótese houvesse uma ciência universal e se ela deixasse claro que a vida não faz qualquer sentido (como na minha opinião a nossa ciência parcial já indica fortemente), isso só aumentaria a necessidade emocional de irracionalmente acreditar em algo que dê magicamente sentido à vida. Acreditar em deus não é um ato de razão, é uma forma capenga de lidar com o desconhecido e com a falta de sentido. Como, aliás, essa própria pergunta parece indicar de forma embaraçosamente reveladora. </p>
<blockquote><p>E o ateu pergunta: “E se a ciência universal acontecer, você deixará de crer?”</p></blockquote>
<p>Ora bolas, se a ciência universal fosse atingida, ela nos informaria se deus existe ou não. Colocar qualquer possibilidade que não seja &#8220;eu acreditaria no que ela dissesse&#8221; demonstra precisamente a diferença de atitude entre crentes e ateus. Ou pelo menos entre mim e as pessoas que acreditam em coisas com base nas suas necessidades emocionais e não no que tudo indica que seja verdade.</p>
<blockquote><p>É um tanto irresistível observar que, dita assim, a posição atéia parece se basear não num prometeanismo voluntarista, mas num prometeanismo inevitável: a transcendência não será mais necessária porque conquistá-la é só uma questão de tempo.</p></blockquote>
<p>Eu não vejo por que motivo a tal inatingível &#8220;ciência universal&#8221; tornaria a transcendência &#8220;desnecessária&#8221;; talvez logicamente desnecessária, mas isso ela já é. O fato de que não podemos conhecer certas coisas é algo para ser aceito, não para ser &#8220;consertado&#8221; com &#8220;transcendência&#8221;. E a &#8211; diga-se de passagem, legítima &#8211; necessidade de transcendência espiritual é primordialmente psicológica, não lógica ou racional. Mas buscá-la projetando suas necessidades emocionais na estrutura da realidade e não em sua interpretação e significado é uma acochambração equivocada. A maioria absoluta das pessoas quando se aventura a falar da origem do universo não está realmente preocupada com de onde o universo *de fato* veio, e sim com qual o sentido de suas vidas.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oindividuo2.wordpress.com/1101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oindividuo2.wordpress.com/1101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oindividuo2.wordpress.com/1101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oindividuo2.wordpress.com/1101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oindividuo2.wordpress.com/1101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oindividuo2.wordpress.com/1101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oindividuo2.wordpress.com/1101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oindividuo2.wordpress.com/1101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oindividuo2.wordpress.com/1101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oindividuo2.wordpress.com/1101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oindividuo2.wordpress.com/1101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oindividuo2.wordpress.com/1101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oindividuo2.wordpress.com/1101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oindividuo2.wordpress.com/1101/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oindividuo2.wordpress.com&amp;blog=4368107&amp;post=1101&amp;subd=oindividuo2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Deus Em Maiúscula, Problema De Auto-Afirmação</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Aug 2009 18:29:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sergio de Biasi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Pedro defende neste texto aqui que grafar &#8220;deus&#8221; sem colocar a primeira letra em maiúscula seria uma tentativa infantil de auto-afirmação. Apresenta para isso argumentos, como direi, péssimos, dizendo que os cristãos (e judeus) usariam a palavra &#8220;deus&#8221; como nome para seu deus específico, sendo portanto este uso um substantivo próprio, similar a Abraão ou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oindividuo2.wordpress.com&amp;blog=4368107&amp;post=1097&amp;subd=oindividuo2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pedro defende <a href="http://oindividuo.com/2009/08/22/deus-em-minuscula-problema-de-auto-afirmacao/">neste texto aqui</a> que grafar &#8220;deus&#8221; sem colocar a primeira letra em maiúscula seria uma tentativa infantil de auto-afirmação. Apresenta para isso argumentos, como direi, péssimos, dizendo que os cristãos (e judeus) usariam a palavra &#8220;deus&#8221; como nome para seu deus específico, sendo portanto este uso um substantivo próprio, similar a Abraão ou Estados Unidos. Sinto muito, mas este é um truque fajuto de prestidigitação linguística. É como dizer : veja bem, um dos apelidos do meu time de futebol é &#8220;Time&#8221;, portanto a forma legítima de se referir a ele é &#8220;Time&#8221;. Então quando for feita uma referência ao *meu* time, a única grafia correta é &#8220;Time&#8221;, e não &#8220;time&#8221;. Yeah, right. Como se seu time tivesse algum status especial linguístico para quem não acredita nele. Como se por você resolver que ele tem o apelido &#8220;Time&#8221; o substantivo comum &#8220;time&#8221; deixasse de se aplicar. Como se para as outras religiões seu deus não fosse tão pagão quanto os outros são para você.</p>
<p>Aliás, a ironia já começa com a necessidade de fazer a ressalva &#8220;e judeus&#8221;. Mas mesmo sem ela, &#8220;cristão&#8221; já é algo por demais amplo. Certo, &#8220;deus&#8221; com maiúsculas se referiria então a uma certa entidade específica como definida por&#8230; católicos? Metodistas? Presbiterianos? Judeus? Espíritas? Existe toda uma infinidade de religiões e teologias em torno de que significado específico dar ao substantivo comum &#8220;deus&#8221;. Pedro começa a construir seu argumento dizendo que &#8220;deus&#8221; com maiúscula se referiria a uma delas, mas então esbarra imediatamente com o fato de que diversos grupos com concepções diversas e incompatíveis do objeto ao qual estamos nos referindo reivindicam simultaneamente o uso de maíuscula como se referindo ao *seu* significado particular. Então ele prossegue mesmo assim, não parecendo perceber (ou ignorando solenemente) que um requisito para algo ser substantivo próprio é precisamente a especificidade. Não dá para dizer : ok, o correto e obrigatório é grafar &#8220;Time&#8221; porque existem aqui duzentos e cinco times de futebol diferentes que acham que são o &#8220;Time&#8221; e é preciso usar maiúsculas para corretamente indicar que estamos nos referindo a algum deles. Isso não só não faz sentido lingüisticamente, como cria confusão e &#8220;ruído comunicativo&#8221; ao invés de esclarecer qualquer coisa. Os muçulmanos em geral também usam maiúscula quando usam a palavra &#8220;deus&#8221; para denotarem especificamente seu deus em português. Eles podem com igual legitimidade dizer que esté é um dos &#8220;nomes&#8221; do seu deus. Mas se &#8220;deus&#8221; com maiúscula vai significar o deus de qualquer religião monoteísta, então não vejo qualquer motivo linguístico para usar maiúscula. Mas claro, eu não me surpreendo que para o Pedro faça total sentido que só um certo número de seitas tenha autorização para usar apropriadamente &#8220;deus&#8221; com maiúsculas (esteja ou não o islamismo entre elas).</p>
<p>Haveria mérito num argumento com essa estrutura caso alguém insistisse em grafar &#8220;Alá&#8221; ou &#8220;Jeová&#8221; sem usar maiúsculas. Esses são de fato nomes usados em contextos específicos para dar nomes a interpretações mais restritas e suficientemente específicas da palavra &#8220;deus&#8221;. Mas &#8220;deus&#8221; genericamente é um substantivo comum perfeitamente legítimo da língua portuguesa e *mesmo que* se aceite o &#8220;argumento&#8221; de que um dos &#8220;nomes&#8221; do deus católico é &#8220;deus&#8221; com maiúscula, isso não eliminaria o fato de que o substantivo comum continua se aplicando. Note-se que &#8220;Abraão&#8221; de fato se refere a uma pessoa específica, &#8220;Estados Unidos&#8221; de fato de refere a um país específico. Não existe confusão sobre o objeto referenciado quando tais palavras são usadas. São casos absolutamente claros e inequívocos de substantivos próprios na língua portuguesa. Já &#8220;deus&#8221; com maiúscula pode se referir a toda uma ambígua coleção de entidades, e não vejo qualquer motivação linguística ou metodológica para assim grafar. O único motivo para fazê-lo, e para melindrar-se com isso, retroracionalizações à parte, isso sim me parece ironicamente ser essencialmente um problema de auto-afirmação. Do tipo &#8220;olha só como meu deus é o único verdadeiro, ele começa com maiúscula!&#8221;.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oindividuo2.wordpress.com/1097/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oindividuo2.wordpress.com/1097/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oindividuo2.wordpress.com/1097/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oindividuo2.wordpress.com/1097/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oindividuo2.wordpress.com/1097/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oindividuo2.wordpress.com/1097/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oindividuo2.wordpress.com/1097/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oindividuo2.wordpress.com/1097/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oindividuo2.wordpress.com/1097/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oindividuo2.wordpress.com/1097/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oindividuo2.wordpress.com/1097/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oindividuo2.wordpress.com/1097/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oindividuo2.wordpress.com/1097/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oindividuo2.wordpress.com/1097/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oindividuo2.wordpress.com&amp;blog=4368107&amp;post=1097&amp;subd=oindividuo2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Fantástico Argumento de Santo Anselmo</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Jul 2009 20:50:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sergio de Biasi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Para quem desconhece, o &#8220;argumento&#8221; de Santo Anselmo, é um argumento ontológico visando supostamente &#8220;provar&#8221; a existência de deus, apresentado (entre outros) por, bem, Santo Anselmo. (Existem outros argumentos ontológicos.) O &#8220;argumento&#8221; de Santo Anselmo é essencialmente o seguinte : 1. Deus é a entidade mais completa / perfeita / maior / superior a todas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oindividuo2.wordpress.com&amp;blog=4368107&amp;post=1080&amp;subd=oindividuo2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para quem desconhece, o &#8220;argumento&#8221; de Santo Anselmo, é um <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ontological_argument">argumento ontológico</a> visando supostamente &#8220;provar&#8221; a existência de deus, apresentado (entre outros) por, bem, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Saint_anselm">Santo Anselmo</a>. (Existem outros <a href="http://plato.stanford.edu/entries/ontological-arguments/">argumentos ontológicos</a>.) </p>
<p>O &#8220;argumento&#8221; de Santo Anselmo é essencialmente o seguinte :</p>
<p>1. Deus é a entidade mais completa / perfeita / maior / superior a todas as outras entidades concebíveis.<br />
2. É mais completo / perfeito / maior / superior necessariamente existir do que não existir.<br />
3. Portanto deus deve necessariamente existir.<br />
4. Portanto deus existe.</p>
<p>Tem tantas coisas erradas com este argumento que é até difícil criticá-lo. É similar a criticar &#8220;Se todos os morangos que voam têm um PhD em lingüistica então eu sou um limão.&#8221; Com a diferença de que este argumento, ao contrário do argumento de Santo Anselmo, está perfeitamente correto do ponto de vista de lógica.</p>
<p>Usarei abaixo &#8220;A&#8221; para o quantificador lógico &#8220;para todos&#8221; e E para o quantificador lógicos &#8220;existe pelo menos um&#8221;.</p>
<p>O problema já começa quando tentamos atribuir significado lógico a essas idéias. Essa relação de &#8220;maior&#8221; está absolutamente mal definida, por exemplo. Mas digamos que formalmente exista uma relação binária M(x,y) definida sobre &#8220;todas as entidades concebíveis&#8221;, seja M qual for. E chamemos a propriedade de &#8220;ser deus&#8221; de D(x). Temos então :</p>
<p>1. A(x) [ D(x) &lt;--&gt; A(y)M(x,y) ] (definição)</p>
<p>Então chegamos ao passo 2, no qual é dito que é &#8220;mais perfeito&#8221; ser necessário do que não ser. O que se está dizendo então é que se x e y são entidades concebíveis e x existe mas y não existe, então x é &#8220;mais perfeito&#8221; do que y (implicitamente, sejam quais forem todas as outras propriedades de x e y). Aliás, note-se portanto que &#8220;existir&#8221; não é uma propriedade necessária das entidades concebíveis. Então chamemos essa propriedade de existir na realidade (e não apenas como &#8220;entidade concebível&#8221;) de R(x). Temos então :</p>
<p>2. A(x)A(y) [R(x)^~R(y) --&gt; M(x,y)] (premissa)</p>
<p>A partir daí, chega-se (usando 1 e 2) ao centro do argumento, que é a conclusão de que algo que seja deus tem necessariamente que existir. Este passo está perfeitamente correto logicamente. Temos então :</p>
<p>3. A(x) [ D(x) --&gt; R(x) ] (de 1 e 2)</p>
<p>O problema é no último passo, quando se conclui então que necessariamente existe uma entidade tal que ela satisfaz a definição de deus e ela é real (em oposição a meramente concebível).</p>
<p>4. E(x) [ D(x) ^ R(x) ] (errado, injustificável logicamente!)</p>
<p>O que efetivamente nós podemos concluir com base nas premissas apresentadas é que *se* deus como definido acima existe como entidade concebível, então existe como entidade real. Isso de forma alguma estabelece a necessidade lógica de que exista algo, mesmo no mundo das entidades concebíveis, que de fato satisfaça à definição de deus &#8211; *caso em que* teria que existir. Essa definição da propriedade &#8220;algo maior do que todos os outros&#8221; não é necessariamente instanciável para qualquer relação, ainda mais no caso de conjuntos infinitos, e isso não é nenhuma novidade. Isto é, claro, a não ser que estejamos dispostos a aceitar contradições, mas nesse caso automagicamente tudo é verdadeiro sem precisar de prova e não estamos mais falando de coisa alguma.</p>
<p>Portanto, o argumento não faz sentido nem mesmo em termos de lógica abstrata. Note-se que mesmo que ele *fizesse* sentido em termos puramente lógicos, as definições dadas são completamente arbitrárias, e não apresentam qualquer justificativa ou explicação sobre o que exatamente é ser &#8220;mais perfeito&#8221; ou por que seria &#8220;mais perfeito&#8221; existir do que não existir. Para o argumento ter qualquer relevância prática seria necessário estabelecer conexões entre tais afirmações e definições e o mundo real, porque senão estamos falando somente sobre um mundo imaginário no qual relações com essa estrutura formal são válidas.</p>
<p>Uma parte do problema de historicamente descontruir o argumento de Santo Anselmo é que um entendimento mais profundo da relação entre lógica e linguagem não apareceu até muito recentemente. Noções mais claras do que seja uma prova e da relação entre sintaxe e semântica em lógica formal só apareceram quase comtemporaneamente. Os gregos de fato iniciaram uma tentativa heróica de estudar o assunto mas chegaram a resultados bastante incompletos e depois disso houve um gigantesco hiato em que o progresso foi muito lento.</p>
<p>Em tempos mais recentes porém houve grande progresso na área, e um entendimento bem mais rigoroso do que constitui uma prova formal, e um dos grandes expoentes nisso foi Gödel.</p>
<p>Muito ironicamente, Gödel foi uma das pessoas que buscou de alguma forma atualizar ou &#8220;consertar&#8221; o argumento ontológico. Ele escreveu <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/G%C3%B6del%27s_ontological_proof">uma versão da mesma idéia</a> usando lógica modal. A versão de Gödel nunca foi realmente considerada prova de coisa alguma pela comunidade matemática em geral, e sofre de problemas similares, embora menos primários.</p>
<p>Note-se que Gödel, apesar de ser um gênio, não era exatamente um modelo de equilíbrio psicológico e no final de sua vida tinha um grande temor de ser envenenado, comendo somente a comida preparada por sua mulher. Ocorreu então de sua mulher ficar doente e ter que ser hospitalizada por um longo período, e como resultado Gödel parou de comer, eventualmente falecendo (!) devido a subnutrição extrema.</p>
<p>O que isso prova sobre seus teoremas? Absolutamente nada! Teoremas não são verdadeiros dependendo de quem os publicou, e sim por causa de sua estrutura. A verdade é verdade independentemente de quem a diga e &#8220;fulano disse x&#8221; é no máximo evidência circunstancial, seja contra seja a favor. Elevar a autoridade a critério de verdade é subverter completamente a possibilidade de honestidade intelectual. Os maiores gênios da humanidade por vezes (aliás quase sempre) também dizem enormes bobagens e sua genialidade está muitíssimo mais na sua capacidade de enxergar coisas que ninguém mais viu do que na de serem infalíveis. Distinguir o joio do trigo, distinguir a verdade que corresponde objetivamente à realidade dos fatos de historinhas e devaneios é tarefa crítica inalienável do ouvinte sem a qual passa-se simplesmente a acreditar em &#8220;coisas&#8221;. O que, infelizmente, é a estratégia intelectual de grande parte da população mundial.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oindividuo2.wordpress.com/1080/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oindividuo2.wordpress.com/1080/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oindividuo2.wordpress.com/1080/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oindividuo2.wordpress.com/1080/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oindividuo2.wordpress.com/1080/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oindividuo2.wordpress.com/1080/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oindividuo2.wordpress.com/1080/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oindividuo2.wordpress.com/1080/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oindividuo2.wordpress.com/1080/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oindividuo2.wordpress.com/1080/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oindividuo2.wordpress.com/1080/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oindividuo2.wordpress.com/1080/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oindividuo2.wordpress.com/1080/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oindividuo2.wordpress.com/1080/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oindividuo2.wordpress.com&amp;blog=4368107&amp;post=1080&amp;subd=oindividuo2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Dawkins</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Jul 2009 08:36:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sergio de Biasi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Como todos por aqui a essa altura provavelmente já estão cansados de saber, eu sou 110% ateu. Porém, ou talvez coerentemente, sou radicalmente contra aceitar acriticamente as pregações de quem quer que seja, incluindo &#8211; e aliás, principalmente &#8211; as que parecem confirmar as coisas que me agradam ou que eu gostaria que fossem verdade. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oindividuo2.wordpress.com&amp;blog=4368107&amp;post=1074&amp;subd=oindividuo2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como todos por aqui a essa altura provavelmente já estão cansados de saber, eu sou 110% ateu. Porém, ou talvez coerentemente, sou radicalmente contra aceitar acriticamente as pregações de quem quer que seja, incluindo &#8211; e aliás, principalmente &#8211; as que parecem confirmar as coisas que me agradam ou que eu gostaria que fossem verdade.</p>
<p>Dentro desse espírito, mesmo admirando a paciência e a determinação de Richard Dawkins em enfrentar todos os aborrecimentos decorrentes de buscar combater a religião como agente universalmente catalisador de ignorância, intolerância e fanatismo, não parto do princípio de que tudo o que ele diz seja automaticamente lindo e maravilhoso e certo, nem idolatro sua pessoa, nem tenho qualquer vontade de me tornar seu discípulo (nem de ninguém mais, aliás).</p>
<p>Muitas coisas podem ser ditas sobre Dawkins com variável grau de razoabilidade. Pode-se dizer que ele teria se tornado tão intolerante quanto aqueles que critica. Eu não concordo, mas não é uma crítica absurda, e é um risco constante quando se entra num debate acirrado. Pode-se afirmar que ele não conheceria de forma suficientemente profunda as religiões que critica. Eu também não concordo, mas novamente, ter um PhD e prestígio não tornam ninguém automaticamente especialista em tudo, então uma crítica nessa direção não é algo que deva ser descartado sem reflexão. Como essas poderiam ser feitas muitas outras meritórias de consideração.</p>
<p>Agora, <a href="http://oindividuo.com/2009/07/02/dawkins-burrao/">dizer que Dawkins seja *burro*</a> decididamente não é uma delas. Não passa nem perto. Suas credenciais acadêmicas e profissionais como pesquisador, professor e escritor são estelares. Criticar Dawkins atirando-lhe o rótulo dé &#8220;burro&#8221; é tão pueril quanto criticar o papa atribuindo-lhe o mesmo adjetivo. Nenhum dos dois tem nem um pouco de burro, e afirmar o contrário equivale a querer ganhar um debate chamando o oponente de cara de mamão.</p>
<p>Agora, para acrescentar vários níveis de ironia e constrangimento a isso, se o problema é a palavra &#8220;provavelmente&#8221;, Dawkins foi explicitamente contra ela. Aliás, a campanha dos ônibus não foi inicialmente nem sequer concebida por ele, e sim por<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ariane_Sherine"> uma jornalista inglesa</a>, a qual aliás agiu motivada por achar que os cristãos estavam agindo de forma psicologicamente abusiva ao promoverem incessantemente a idéia de que quem não seguisse os preceitos de sua religião passaria toda a eternidade sendo torturado. Claro, os cristãos podem fazer isso sem problemas e chamar ateus de perversos, maus, pecadores e perdidos. Mas se alguém decide educadamente dizer que as crenças dos cristãos estão erradas &#8211; ah, isso é completamente inaceitável. Hipocrisia total, como de costume.</p>
<p>Dawkins acabou apoiando a campanha, por achar que ela tinha mérito, mas declarou explicitamente que na opinião dele seria mais adequado dizer &#8220;There is almost certainly no God.&#8221;, sendo que o &#8220;almost&#8221; fica por conta da consideração prudente de que nosso conhecimento e nossa capacidade de intelecção são evidentemente finitos e possivelmente falhos, e que isso representa apenas o melhor que podemos concluir diante do que sabemos. Aliás, note-se que não costuma ocorrer aos católicos modéstia intelectual similar de dizer algo como &#8220;Quase certamente há um deus.&#8221; ou &#8220;Provavelmente deus existe.&#8221; E são essas pessoas que vêm falar de discurso dogmático? Por favor.</p>
<p>Sobre a eternidade ser um custo infinito, esse argumento sim é patético e vexaminoso de tão primário. Ora, eu poderia atribuir todo tipo de conseqüência eterna terrível para os mais variados comportamentos e não segue daí que você deva então seguir minhas recomendações na hipótese improvável de eu estar certo. Inclusive religiões diferentes recomendam coisas diferentes, mutuamente exclusivas, e igualmente condutoras à danação. E aí? Essa linha de argumentação é ridícula. O que precisa ser estabelecida é a credibilidade da afirmação que exista uma punição eterna, não o quanto ela seria horrível se fosse real.</p>
<p>E sim, muito objetivamente, as religiões, em particular a católica, aterrorizam as pessoas mais crédulas e emocionalmente vulneráveis com essa ameaça constante de danação se não forem suficientemente submissas e obedientes. Essa preocupação é muito real para uma grande parcela dos atingidos por esse discurso despersonalizante, e atrapalha, sim, terrivelmente que as pessoas simplesmente aproveitem suas vidas e vão vivê-las em paz de acordo com suas consciências. Aliás, eu pessoalmente iria ainda mais longe e acharia ótima uma campanha que dissesse &#8220;Deus obviamente não existe. Pare de se submeter aos que dizem representá-lo e siga sua consciência.&#8221; Claro que infelizmente quem é capaz de seguir esse conselho não precisa dele.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oindividuo2.wordpress.com/1074/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oindividuo2.wordpress.com/1074/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oindividuo2.wordpress.com/1074/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oindividuo2.wordpress.com/1074/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oindividuo2.wordpress.com/1074/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oindividuo2.wordpress.com/1074/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oindividuo2.wordpress.com/1074/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oindividuo2.wordpress.com/1074/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oindividuo2.wordpress.com/1074/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oindividuo2.wordpress.com/1074/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oindividuo2.wordpress.com/1074/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oindividuo2.wordpress.com/1074/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oindividuo2.wordpress.com/1074/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oindividuo2.wordpress.com/1074/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oindividuo2.wordpress.com&amp;blog=4368107&amp;post=1074&amp;subd=oindividuo2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Dirigindo em Nova York</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Jul 2009 07:25:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sergio de Biasi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando eu me mudei para Nova York, uma das providências que eu tomei foi vender meu carro e não comprar outro. Em Nova York, ter um carro não é apenas desnecessário. É inútil. Além de um aborrecimento constante. Aliás, um parêntesis aqui. Quando digo Nova York quero dizer Manhattan. Que é a imagem internacional que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oindividuo2.wordpress.com&amp;blog=4368107&amp;post=1067&amp;subd=oindividuo2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando eu me mudei para Nova York, uma das providências que eu tomei foi vender meu carro e não comprar outro. Em Nova York, ter um carro não é apenas desnecessário. É inútil. Além de um aborrecimento constante.</p>
<p>Aliás, um parêntesis aqui. Quando digo Nova York quero dizer Manhattan. Que é a imagem internacional que as pessoas fazem de Nova York. Mas a cidade na verdade é muito mais do que isso, assim como o Rio de Janeiro é muito mais do que, digamos, a Zona Sul e a Barra. E nem todas as regiões da cidade são, digamos, igualmente bem consideradas socialmente. Dizer por exemplo que você mora no Queens ao invés de em Manhattan tornará você instantaneamente intocável em certos contextos sociais. Eu poderia fazer comparações, mas acho que cada um pode inventar as suas. O fato é que existe um fator &#8220;ugh&#8221; instantâneo e claríssimo quando se diz para um habitante de Manhattan que você habita no Queens. É como se você sofresse um rebaixamento instantâneo e incontornável de status. Do tipo &#8220;ah, ok, eu tinha pensado que você fosse gente&#8221;. Nas primeiras vezes em que eu observei esse fenômeno eu nem sequer entendi o que estava acontecendo. Posteriormente ficou mais claro que era isso mesmo.</p>
<p>Mas enfim, voltando à inutilidade de ter um carro em Nova York. Em primeiro lugar, o metrô vai a absolutamente todos os lugares. É o maior sistema de metrô do mundo e funciona 24 horas. E pelo menos na década atual, perfeitamente seguro. Então não é preciso ter um carro para ir a lugar algum. E na verdade, se você tentar ir aos lugares de carro durante o horário comercial, em geral só vai se aborrecer enormemente, porque o trânsito é caótico e intenso. Aí você chega onde queria ir e absolutamente não há lugar para estacionar. Ou melhor, há se você pagar um absurdo para deixar o carro num estacionamento.</p>
<p>Algumas vezes depois que cheguei em Nova York, eu ainda não tinha percebido exatamente a realidade exposta acima, e ao me ver atrasado para algum compromisso pensei : &#8220;Vou tomar um táxi!&#8221;. Tentar essa estratégia se mostrou duplamente instrutivo. Em primeiro lugar, porque quase invariavelmente cheguei nos lugares onde queria ir mais *tarde* do que se tivesse pego o metrô. Em segundo lugar, porque andar de táxi em Nova York é absolutamente surreal. Os motoristas *sempre* são imigrantes que não sabem falar inglês direito, não sabem onde fica *nada*, e não raro agem de forma bizarra e/ou agressiva.</p>
<p>Depois de alguns anos em Nova York, porém, mudei-me para New Jersey, que é mais ou menos a Niterói de Nova York. Fica logo ali do lado, dá pra ver do outro lado da água, e dá pra chegar lá de barca.</p>
<p>Em termos automobilisticos, New Jersey é mais ou menos o oposto de Nova York. É completamente impossível não ter um carro. Às vezes eu sinto que aqui é preciso ter um carro até para ir no banheiro. Até a farmácia tem um estacionamento próprio e para fazer qualquer coisa que não seja comprar pão é preciso pegar a auto-estrada. Então naturalmente comprei um carro.</p>
<p>Recentemente calhou porém que eu fui a um jantar em Nova York. Então fui dirigindo, e no processo dirigi de cima a baixo em Manhattan. Aproveitei para registrar algumas cenas na ida e na volta, as quais coloco abaixo.</p>
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<p>Nesta primeira seqüência começo ainda mais ou menos <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Midtown_(Manhattan)">no meio de Manhattan</a>, andando ao long da rua 40 depois de sair do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lincoln_tunnel">Lincoln Tunnel</a> (Aliás, isso foi outra coisa que demorou muito para eu acostumar : grande parte do tempo, não tem essa de rua fulano de tal, é rua 12 paralela à rua 13 cortadas por avenida 3 paralela à avenida 4. Pragmatismo total.) Enfim, eu dirijo para o leste, passo a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Madison_ave">Madison</a> e então dobro à esquerda onde tem um elevado meio incrível que contorna a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Grand_Central_Station">Grand Central Station</a>. Com isso eu pego a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Park_Avenue_(Manhattan)">Park Avenue</a> para o norte, que é onde eu quero chegar; estou indo para o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Upper_East_Side">Upper East Side</a>. Notem como é chatíssimo dirigir em Nova York; eu fico parando quase o tempo todo. Perto do final dessa seqüência eu passo na frente do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Waldorf_Astoria">Waldorf-Astoria</a>.</p>
<object width="425" height="334"><param name="movie" value="http://www.dailymotion.com/swf/x9fpkk"></param><param name="allowfullscreen" value="true"></param><param name="wmode" value="opaque"></param><embed src="http://www.dailymotion.com/swf/x9fpkk" width="425" height="334" allowfullscreen="true" wmode="opaque"></embed></object>
<p>Nesta segunda seqüência eu continuo na Park, mas bem mais ao norte. Nada de realmente interessante acontece.</p>
<object width="425" height="334"><param name="movie" value="http://www.dailymotion.com/swf/x9fpn1"></param><param name="allowfullscreen" value="true"></param><param name="wmode" value="opaque"></param><embed src="http://www.dailymotion.com/swf/x9fpn1" width="425" height="334" allowfullscreen="true" wmode="opaque"></embed></object>
<p>Ok, agora eu estou voltando pra casa depois do jantar, dirigindo pela <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lexington_Avenue_(Manhattan)">Lexington</a>. O trânsito está bem melhor do que mais cedo. Eu vou seguindo por um tempo para o sul e então entro à direta na <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/34th_Street">rua 34</a>, que é a que eu preciso tomar para chegar de volta no <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lincoln_tunnel">Lincoln Tunnel</a>. Logo fica possível ver o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Empire_State_Building">Empire State Building</a>, que fica na esquina da <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/34th_Street_(Manhattan)">34</a> com <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/5th_Ave">Quinta Avenida</a>, à minha esquerda. Um pouco depois disso, eu cruzo a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Broadway_(New_York_City)">Browaday</a> e passo do lado da <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Macy%27s">Macy&#8217;s</a> do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Herald_Square">Herald Square</a>, que pode ser vista à minha direita. Continuo para o oeste até chegar a Nona Avenida, e então dobro à direita para pegar a entrada do túnel. Finalmente, entro no túnel, onde passo a dirigir debaixo d&#8217;água sob o rio <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Hudson_River">Hudson</a>, que separa Nova York de New Jersey.</p>
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<p>Neste última seqüência, eu termino de atravessar o túnel e saio em New Jersey. De brinde para os espectadores eu fico meio que cantando por alguns momentos durante uma parte do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Let_There_Be_Love_(Oasis_song)">&#8220;Let There Be Love&#8221;</a> do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Oasis_(band)">Oasis</a>. Uma grande curva para a esquerda e Manhattan pode ser vista brevemente ao longe, já do outro lado do rio. Nada de particularmente interessante acontece, e eu prossigo dirigindo em direção à <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/New_Jersey_Turnpike">New Jersey Turnpike</a>, que quero pegar para ir para <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Central_New_Jersey">o meio de New Jersey</a>. Dá pra ver umas placas indicando que estou chegando na turnpike perto do fim do vídeo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oindividuo2.wordpress.com/1067/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oindividuo2.wordpress.com/1067/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oindividuo2.wordpress.com/1067/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oindividuo2.wordpress.com/1067/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oindividuo2.wordpress.com/1067/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oindividuo2.wordpress.com/1067/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oindividuo2.wordpress.com/1067/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oindividuo2.wordpress.com/1067/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oindividuo2.wordpress.com/1067/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oindividuo2.wordpress.com/1067/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oindividuo2.wordpress.com/1067/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oindividuo2.wordpress.com/1067/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oindividuo2.wordpress.com/1067/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oindividuo2.wordpress.com/1067/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oindividuo2.wordpress.com&amp;blog=4368107&amp;post=1067&amp;subd=oindividuo2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Vem Chegando o Verão</title>
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		<pubDate>Fri, 01 May 2009 17:33:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sergio de Biasi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Para quem viu o texto anterior com tudo cheio de neve, aqui está o mesmo trecho de estrada como está agora. Acima, primavera E para efeito de comparação, aqui vai o resto da coleção. Acima, inverno Acima, outono Finalmente, de brinde, aqui está a universidade de Columbia na mesma época no ano passado&#8230; Primavera em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oindividuo2.wordpress.com&amp;blog=4368107&amp;post=454&amp;subd=oindividuo2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para quem viu o texto anterior com tudo cheio de neve, aqui está o mesmo trecho de estrada como está agora.</p>
<object width="425" height="334"><param name="movie" value="http://www.dailymotion.com/swf/x95m62"></param><param name="allowfullscreen" value="true"></param><param name="wmode" value="opaque"></param><embed src="http://www.dailymotion.com/swf/x95m62" width="425" height="334" allowfullscreen="true" wmode="opaque"></embed></object>
<div align="center"><i>Acima, primavera</i></div>
<p>E para efeito de comparação, aqui vai o resto da coleção.</p>
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<div align="center"><i>Acima, inverno</i></div>
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<div align="center"><i>Acima, outono</i></div>
<p>Finalmente, de brinde, aqui está a universidade de Columbia na mesma época no ano passado&#8230;</p>
<object width="425" height="334"><param name="movie" value="http://www.dailymotion.com/swf/x92u9y"></param><param name="allowfullscreen" value="true"></param><param name="wmode" value="opaque"></param><embed src="http://www.dailymotion.com/swf/x92u9y" width="425" height="334" allowfullscreen="true" wmode="opaque"></embed></object>
<div align="center"><i>Primavera em Nova York</i></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oindividuo2.wordpress.com/454/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oindividuo2.wordpress.com/454/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oindividuo2.wordpress.com/454/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oindividuo2.wordpress.com/454/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oindividuo2.wordpress.com/454/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oindividuo2.wordpress.com/454/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oindividuo2.wordpress.com/454/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oindividuo2.wordpress.com/454/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oindividuo2.wordpress.com/454/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oindividuo2.wordpress.com/454/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oindividuo2.wordpress.com/454/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oindividuo2.wordpress.com/454/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oindividuo2.wordpress.com/454/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oindividuo2.wordpress.com/454/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oindividuo2.wordpress.com&amp;blog=4368107&amp;post=454&amp;subd=oindividuo2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Inverno Para Principiantes</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Apr 2009 06:53:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sergio de Biasi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao ar livre tudo rapidamente congela Agora que o inverno está acabando por aqui mais uma vez eu me lembro de como não é a única rotina possível tudo estar sempre congelado e ser necessário um sobretudo para ir até a esquina comprar um jornal. Uma das &#8211; várias &#8211; experiências inesperadas que eu tive [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oindividuo2.wordpress.com&amp;blog=4368107&amp;post=445&amp;subd=oindividuo2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://oindividuo2.files.wordpress.com/2009/04/frozen_starbucks_coffee_cup.jpg?w=450&#038;h=248" alt="frozen_starbucks_coffee_cup" title="frozen_starbucks_coffee_cup" width="450" height="248" class="aligncenter size-full wp-image-446" /></p>
<div align="center"><i>Ao ar livre tudo rapidamente congela</i></div>
<p>Agora que o inverno está acabando por aqui mais uma vez eu me lembro de como não é a única rotina possível tudo estar sempre congelado e ser necessário um sobretudo para ir até a esquina comprar um jornal.</p>
<p>Uma das &#8211; várias &#8211; experiências inesperadas que eu tive pela primeira vez depois de me mudar para cá foi tentar sair com o carro de manhã e descobrir que a porta não abria. Destrancar, puxar a maçaneta, quebrar uma camada de gelo em pedaços no processo e&#8230; nada. Nem chance de a porta abrir. Então olhei com mais cuidado e percebi que não era só a maçaneta. O carro inteiro estava coberto por uma camada de gelo, enclausurado numa caixa transpaente feita de gelo. Ah, mas para isso, claro, todo mundo carrega um raspador de gelo, certo? E eu prevenido que sou havia comprado um! Que estava lamentavelmente dentro do carro. Bem, fui até a esquina e comprei *outro* raspador de gelo e quebrei o gelo em volta da porta inteira até ser possível abri-la pensando quão bizarro aquilo era.</p>
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<div align="center"><i>Vejam que tempo lindo</i></div>
<p>E quando está nevando, é necessário ter algo &#8211; idealmente uma espécie de vassourinha &#8211; para tirar a neve dos vidros do carro antes de começar a dirigir. E novamente, claro, eu prevenido que sou, eu comprei a vassourinha adiantadamente. E aí quando você vai pro estacionamento várias vezes vê os outros ocupados cavando seus carros da neve antes de poderem sair. Pois bem, depois de fazer isso algumas vezes um dia eu estava dirigindo e fui parar num sinal e plooooooooooffffff ! Tomei um susto enorme e meu para-brisas estava de repente todo coberto. Ocorreu que eu não havia tirado a neve do *teto* do carro e quando eu parei ela escorregou toda pra frente. Mais uma pra ir aprendendo.</p>
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<div align="center"><i>Pássaro pensando &#8220;Ué, cadê o lago?&#8221;</i></div>
<p>Evidentemente todos os prédios e todos os carros são aquecidos, mas então o que acontece é que quando a gente entra num prédio rapidamente fica com calor se continuar com todas as roupas que estava antes. Então fica um bota-e-tira roupas contínuo, e a coisa mais comum do mundo é ver luvas perdidas no chão, porque as pessoas tiram as luvas, colocam no bolso do sobretudo, e elas caem.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oindividuo2.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oindividuo2.wordpress.com/445/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oindividuo2.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oindividuo2.wordpress.com/445/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oindividuo2.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oindividuo2.wordpress.com/445/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oindividuo2.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oindividuo2.wordpress.com/445/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oindividuo2.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oindividuo2.wordpress.com/445/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oindividuo2.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oindividuo2.wordpress.com/445/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oindividuo2.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oindividuo2.wordpress.com/445/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oindividuo2.wordpress.com&amp;blog=4368107&amp;post=445&amp;subd=oindividuo2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">frozen_starbucks_coffee_cup</media:title>
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		<title>Canibalismo Socialmente Chique</title>
		<link>http://oindividuo2.wordpress.com/2009/04/23/canibalismo-socialmente-chique/</link>
		<comments>http://oindividuo2.wordpress.com/2009/04/23/canibalismo-socialmente-chique/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 23 Apr 2009 08:01:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sergio de Biasi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma das minhas maiores críticas à religião é o quanto (com raras exceções como certas variações do budismo) ela não só encoraja como literalmente exige do sujeito que desligue o seu senso crítico e a sua consciência e siga cegamente o que os líderes religiosos proclamam. Muitos religiosos talvez se levantem para dizer que não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oindividuo2.wordpress.com&amp;blog=4368107&amp;post=429&amp;subd=oindividuo2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das minhas maiores críticas à religião é o quanto (com raras exceções como certas variações do budismo) ela não só encoraja como literalmente exige do sujeito que desligue o seu senso crítico e a sua consciência e siga cegamente o que os líderes religiosos proclamam.</p>
<p>Muitos religiosos talvez se levantem para dizer que não é nada disso, que a religião é compatível com o senso crítico e com a consciência individual, etc, mas eu estou cansado de argumentar esse ponto. Não, não é. Para se juntar a quase qualquer religião, você tem que prometer que vai acreditar cegamente no que algum (ou alguns) líder religioso disser. Por exemplo, se você resolver se juntar à religião muçulmana, você tem que acreditar no que Maomé disse, como interpretado por Ulemás e coisas parecidas. Se seu senso crítico e sua consciência disserem que pensando bem sobre tal e qual ponto Maomé estava errado, nada feito. Quem está errado é você.</p>
<p>Isso não só gera uma deturpação patológica do senso individual de ética como faz com que as pessoas sejam forçadas a viver num mundo esquizofrênico em que seu modelo de mundo não tem nada a ver com a realidade concreta enquanto seus atos e escolhas de fato ocorrem na realidade concreta. Enquanto as pessoas estão só achando que estão falando com seus antepassados no centro espírita isso ainda pode parecer mais ou menos inofensivo, mas quando começam a querer se curar de câncer com operações espirituais deixa de ser engraçado.</p>
<p>Somando as duas coisas &#8211; viver num mundo de fantasia e seguir cegamente as intruções dos líderes religiosos sobre moralidade &#8211; resulta em que é possível induzir uma pessoa seriamente religiosa a fazer praticamente qualquer coisa, por mais grotesca que seja, e ela o fará não só acreditando que era a coisa certa a fazer, como que era absolutamente necessária.</p>
<p>Então num contexto religioso vários comportamentos que em outras circunstâncias seriam encarados como no mínimo estranhos e em vários casos francamente patológicos tornam-se não só aceitáveis como normais e até virtuosos. Aí repentinamente condenar à morte uma mulher que foi estuprada (por ter tido sexo sem ser casada) torna-se um ato moralmente justo e necessário. Não que seja impossível esse tipo de situação acontecer sem religião; sempre haverá pessoas com preconceitos absurdos querendo realizar atrocidades. Mas a religião provê um arcabouço cultural e psicológico para validar e incentivar tais aberrações, dizendo &#8220;não olhe para este ato de violência em si mesmo, enxergue como o significado transcendente dele num contexto maior é na verdade positivo&#8221;. Daí as pessoas saem a fazer coisas que sem a validação provida pela religião muitas vezes elas mesmas encarariam como altamente duvidosas.</p>
<p>Imagine por exemplo se eu propusesse uma religião com as seguintes características. Periodicamente nós vamos nos reunir num ritual em que encenaremos canibalismo enquanto simultaneamente usamos drogas. Como parte do ritual, seremos informados e lembrados sobre que opinião devemos ter sobre determinados assuntos. Ter opiniões contrárias não é uma opção; estaremos literalmente sendo instruídos sobre qual deve ser a nossa opinião, como revelada diretamente pelo criador do universo aos nossos líderes religiosos, e reportada a nós por um líder religioso presente, e como parte do ritual pode-se pedir de nós que declaremos solenemente que de fato acreditamos nessas verdades sobre as quais fomos instruídos. Deixar de seguir as conseqüências lógicas de tais opiniões, ou mesmo conhecê-las, porém, não é o que realmente se pede de nós. Se formos extensamente ignorantes sobre em que deveremos acreditar e mesmo se agirmos de forma precisamente contrária, tudo estará bem, desde que reafirmemos nossa convicção de que acreditamos que essas são as opiniões certas. Não existe crime maior, porém, do que questionar essas opiniões; é parte fundamental do sistema de pensamento desta religião que não seguir cegamente seus líderes indica uma falha moral absolutamente indesculpável, imperdoável e intolerável que será punida pelo criador do universo com, literalmente, tortura por toda a eternidade, ou mesmo com tortura e morte neste mundo nos casos em que houver poder político para tanto.</p>
<p>Eu poderia continuar, mas acho que já está bem ilustrado. O que eu disse acima, evidentemente, descreve alguns aspectos de um subconjunto dos rituais praticados na religião católica. Uma parte substancial do que ela faz e ensina seria encarado com horror e repúdio se apresentado em qualquer outro contexto. Mas doses maciças de lavagem cerebral e de pretender oferecer respostas a questões fundamentais para as quais não existe realmente uma resposta conseguem tornar socialmente aceitável que pessoas sob outros aspectos normais e razoáveis se reunam semanalmente para <a href="http://truthseekerjournal.com/1996archive/123_1/12communion.shtml">encenar canibalismo</a>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oindividuo2.wordpress.com/429/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oindividuo2.wordpress.com/429/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oindividuo2.wordpress.com/429/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oindividuo2.wordpress.com/429/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oindividuo2.wordpress.com/429/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oindividuo2.wordpress.com/429/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oindividuo2.wordpress.com/429/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oindividuo2.wordpress.com/429/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oindividuo2.wordpress.com/429/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oindividuo2.wordpress.com/429/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oindividuo2.wordpress.com/429/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oindividuo2.wordpress.com/429/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oindividuo2.wordpress.com/429/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oindividuo2.wordpress.com/429/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oindividuo2.wordpress.com&amp;blog=4368107&amp;post=429&amp;subd=oindividuo2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Nuvens de Palavras</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Apr 2009 06:39:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sergio de Biasi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Para quem não conhece, existe um site / projeto / programa chamado Wordle que toma listas de palavras &#8211; que podem ser extraídas automaticamente de um site &#8211; e produz imagens com base na freqüência relativa das palavras. O resultado é surpreendentemente interessante e esteticamente agradável. Por exemplo, para oindividuo.org, o Wordle produziu a imagem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oindividuo2.wordpress.com&amp;blog=4368107&amp;post=419&amp;subd=oindividuo2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://oindividuo2.files.wordpress.com/2009/04/wordle-for-oindividuoorg-20090416.jpg"><img src="http://oindividuo2.files.wordpress.com/2009/04/wordle-for-oindividuoorg-20090416.jpg?w=450&#038;h=250" alt="wordle-for-oindividuoorg-20090416" title="wordle-for-oindividuoorg-20090416" width="450" height="250" class="aligncenter size-full wp-image-420" /></a></p>
<p>Para quem não conhece, existe um site / projeto / programa chamado <a href="http://www.wordle.net/">Wordle</a> que toma listas de palavras &#8211; que podem ser extraídas automaticamente de um site &#8211; e produz imagens com base na freqüência relativa das palavras. O resultado é surpreendentemente interessante e esteticamente agradável. Por exemplo, para <a href="http://oindividuo.org">oindividuo.org</a>, o Wordle produziu a imagem acima, que acho que de alguma forma representa um instantâneo da minha personalidade.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oindividuo2.wordpress.com/419/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oindividuo2.wordpress.com/419/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oindividuo2.wordpress.com/419/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oindividuo2.wordpress.com/419/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oindividuo2.wordpress.com/419/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oindividuo2.wordpress.com/419/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oindividuo2.wordpress.com/419/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oindividuo2.wordpress.com/419/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oindividuo2.wordpress.com/419/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oindividuo2.wordpress.com/419/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oindividuo2.wordpress.com/419/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oindividuo2.wordpress.com/419/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oindividuo2.wordpress.com/419/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oindividuo2.wordpress.com/419/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oindividuo2.wordpress.com&amp;blog=4368107&amp;post=419&amp;subd=oindividuo2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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